No meu país há uma palavra proibida.
Mil vezes a prenderam mil vezes cresceu.E pulsa em nos como o pulsar da própria vida
sabe ao sal deste mar tem a cor deste ceu
no meu país há uma palavra proibida
No meu país há uma palavra que se diz
com a mesma ternura da palavra irmã.
palavra quente como o sol do meu país
palavra clara como e cada menha
apesar da tristeza lá no meu país.
No meu país há uma palavra que se escreve
sobre o muro a pressa pela noite dentro.
Uma palavra assim nenhuma lingua a teve
tao ausencia presença tao feita de vento
tão impossivel de apaga-la onde se escreve.
No meu país ha uma palavra onde se guarda
tudo o que não se teve tudo o uqe não foi.
Por ela a humilhaçao fabrica uma espingarda
e há um tempo de luta no tempo que doi
nessa palavra que nos guia que nos guarda.
Palavra que murmura nos verdes pinheiros
o recado que o mar vem escrever na areia.
Se já em nos morreram velhos marinheiros
há uma palavra que semeia em nossas veias
um pais que murmura nos verdes pinheiros
No meu pais em cada homem ha uma palavra
que rasga as trevas e as prisões: palavra chave
capaz de transformar em asa a mao que lavra.
E e inutil prederem-na que é luz e ave
no meu pais em cada homem essa palavra.
Palavra feita de montanhas praias vento.
De verde pinho e mar azul.De sol.De sal.
Não vale a pena proibirem o pensamento.
Há uma palavra clandestina em Portugal
que se escreve em todas as harpas do vento.
Manuel Alegre
E o que fazemos nós com essa palavra proibida?
Que valor damos a luta de uma gente que nos fez hoje ser o que somos?
Porque hoje é muito mais do que um feriado nacional.
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